Nossa história

O Sinepe traz consigo a maturidade institucional de quarenta anos de história. Nesse período, acontecimentos e situações cruciais afetaram a sociedade brasileira, em especial as escolas particulares, podendo-se distinguir entre eles: o regime autoritário, a redemocratização, a hiperinflação, os planos econômicos heterodoxos, as várias crises econômicas mundiais, a falta de planejamento educacional e o baixo índice nacional de escolaridade.

Constituído em 1969, momento em que regia o autoritarismo e que acabara de se tornar mais duro com a edição do Ato Institucional 5 (1968), o Sinepe tem passagens de muita luta e perseverança para superar dificuldades. Mas, também, muitas realizações a serem lembradas.

Tudo começou com a criação da Associação das Escolas Particulares de Ensino no DF – embrionária do futuro sindicato que viria a ser instituído –, cuja criação foi precedida e incentivada pela Associação das Escolas Católicas de Brasília.

O momento era crucial, pois era imprescindível para a sobrevivência das escolas particulares na década de 70, ter uma entidade representativa que fosse capaz de superar os momentos difíceis e amenizar o relacionamento das escolas com o governo.

A nova associação cumpriu seu papel representando suas filiadas nos imprescindíveis diálogos com o governo e obteve resultados relevantes, entre eles a destinação, pela Novacap, de terrenos destinados à construção de escolas públicas – considerados excedentes – para edificação de novas escolas particulares.

Era a época do regime autoritário brasileiro (1964/1985), que com suas próprias características, não diferia muito dos demais que ocorrem pelo mundo, com a centralização de decisões nacionais no Poder Executivo, o Legislativo inoperante e o Judiciário complacente. Ou seja, o regime mandava em tudo e tudo podia.

A redemocratização (1985) não foi a panacéia para os males econômicos que, sem exceções, atingiam a toda a população. Poder-se-ia dizer que houve agravamento da situação econômica, com a hiperinflação que vinha sendo cultivada e que despontou em seguida.

Diante desse cenário, o Sinepe-DF estava ali enfrentando todas essas dificuldades e não deixando seu espírito de luta esmorecer. Pelo contrário! As dificuldades serviram para nos tornar mais fortes na adversidade. Muitas realizações foram alcançadas ao longo de quarenta anos de nossa existência.

Foi nos anos 80 que a associação foi transformada em sindicato, com novas regras de funcionamento que trariam o fortalecimento legal da entidade. Nessa época surge, também, o Sindicato do Professores do DF – Sinpro que, indiretamente, influiu de forma positiva no fortalecimento do sindicado das escolas.

Nos meados de 80, também foi inaugurada a sede do Sinepe, já com projeção nacional, que coincide com a redemocratização do País em 1985 e a eleição direta do primeiro presidente civil, após vinte anos de regime de exceção.

Ainda no final da década de 80, mais precisamente em setembro de 1989, em encontro realizado na sede do Sinepe, surgiu a proposta, logo concretizada, de constituição da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), com a finalidade de defender os interesses da categoria em escala nacional.

Cada vez mais, a entidade foi criando força e reconhecimento para seguir a sua caminhada.

Assim, os dois primeiros anos da década de 90 foram especialmente difíceis para todos os segmentos da sociedade, quando ocorreu o congelamento de quase toda poupança nacional, em contas-correntes ou aplicações financeiras de qualquer modalidade, pelo período de dezoito meses. De todos os planos econômicos editados de 1986 a 1994, este, denominado Plano Collor, provavelmente foi o mais nefasto para todos os cidadãos, as empresas e as instituições de ensino privadas.

Nos dois anos que se seguiram ao Plano Collor, foram gastas, pelas escolas privadas e pelos demais segmentos da sociedade, enormes quantidades de energia administrando problemas dele decorrentes.

Para enfrentar esse novo cenário, o Sinepe constituí o Conselho Pedagógico do Sindicato e o Disque Escola, que permitiu o aperfeiçoamento da comunicação das escolas com a sociedade, além de outras iniciativas.

O advento do Plano Real e outras medidas econômicas sérias, que estabilizaram a economia, a partir de 1994, permitiram, às escolas, destinar todos os esforços e o excessivo tempo gasto na administração financeira, para os objetivos principais de uma instituição de ensino, que a educação e a formação dos alunos.

A partir de então, o Sinepe pode se aprofundar mais no seu papel de representação das escolas e de melhoria na qualidade do ensino.

As décadas de 70, 80 e 90 foram repletas de dificuldades que foram superadas com muito esforço e garra pelas escolas que persistiram e lutaram por seus objetivos. Inicia-se o novo século apresentando novos desafios, principalmente incorporando tecnologias inovadoras a serem empregadas no ensino.

A primeira década do novo século está quase finalizada. As escolas, agora livre de muitas amarras relacionadas com problemas econômicos do país, estão aprimorando seus métodos de ensino, que têm por objetivo a socialização do saber, a construção de valores éticos e a afirmação da cidadania plena, das crianças e dos jovens, cuja educação e formação foram a elas confiados.

A satisfação do dever cumprido é o sentimento dos dirigentes e dos funcionários do Sinepe-DF, por tudo que foi realizado para cumprimento de seus objetivos sociais ao longo dessas décadas de história, inclusive na superação de dificuldades e na elaboração de soluções criativas que atenderam aos interesses de seus associados.

No momento, nessa fase de maturidade institucional, o Sinepe-DF está abrindo novos flancos de atuação e consolidando seu papel de representante das escolas particulares. Nesses cenários de novos tempos, o Sinepe está realizando parcerias, unindo-se a instituições governamentais e a organizações civis, com várias finalidades, inclusive somando esforços em campanhas, em projetos e em programas de envergadura social.